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Resumo gráfico por CireniaSketches.

O pastoreio representa uma fonte de subsistência para milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, assumindo-se como um sector fundamental para a construção de um futuro mais sustentável. É uma das atividades que mais área conquistou em todo o mundo, incluindo as mais áridas que, muito embora ocupem mais de 40% do planeta, albergam mais de metade de todo o gado existente nas suas pastagens.

Para avaliar o impacto do pastoreio nas regiões áridas (semi-áridas e sub-húmidas secas) do planeta, uma equipa internacional com mais de uma centena de investigadores aplicou, pela primeira vez, exatamente o mesmo método de análise em 25 países de 6 continentes. Sob coordenação de Fernando Maestre, da Universidade de Alicante (Espanha), a equipa caracterizou os ecossistemas destas regiões, em termos de clima, tipo de solo e biodiversidade que possuem, e os serviços vitais que desempenham, como a manutenção da fertilidade do solo, a capacidade de reter carbono e a regulação do ciclo hidrológico – os chamados serviços de ecossistema.

As investigadoras Alice Nunes, coordenadora do grupo de investigação em Ecologia das Alterações Ambientais do cE3c, e Melanie Köbel, a realizar doutoramento no mesmo grupo, integraram a equipa e adicionaram áreas de montado no Ribatejo e no Alentejo ao estudo, por se tratar de um ecossistema de reconhecida importância social, económica e ambiental, sujeito ao pastoreio e vulnerável às alterações climáticas.

Os resultados revelaram que “o aumento da pressão de pastoreio reduziu a maioria dos serviços analisados em áreas mais quentes e pobres em espécies”, explica Alice Nunes. Esta redução dos serviços pelo ‘sobrepastoreio’ é reflexo da sua degradação, acelerada “por um clima em mudança e cada vez mais árido”, acrescenta a investigadora, e pela perda de biodiversidade. Assim, para Melanie Köbel, o estudo reforça ainda “a importância de conservar e restaurar as comunidades vegetais para prevenir a degradação do solo, assegurar a prestação de serviços de ecossistema essenciais para os seres humanos e mitigar as alterações climáticas nas zonas áridas”.

De acordo com as investigadoras, o estudo encontrou ainda “efeitos positivos do pastoreio em áreas mais frias e ricas em espécies”. Esta divergência vem reforçar a necessidade de adaptar a pressão e a gestão do pastoreio ao contexto local. Sujeito ao aumento da temperatura e às várias ameaças que impactam as espécies que abriga, a gestão do montado [e o país] beneficia do conhecimento produzido para ser capaz de enfrentar as crises ecológicas que o planeta atravessa.

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