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Os investigadores Artur Serrano e Carlos Aguiar em trabalho de campo na Serra D`Aire e Candeeiros, no ano de 2002.
Fotografia de Artur Serrano

Um estudo publicado pelos investigadores do cE3c, Artur Serrano e Carlos Aguiar, descreve duas novas espécies de escaravelhos carabídeos subterrâneos para Portugal, pertencentes ao género Parareicheia, um grupo endémico da Península Ibérica. A primeira espécie deste género foi descrita de Portugal por René Jeannel em 1957 (P. nevesi) e agora, quase 70 anos mais tarde, foram encontradas mais duas.

Os autores deste trabalho dedicam-se ao estudo dos Coleópteros Carabídeos endógeos desde a década de noventa, tendo descrito a 1ª espécie nova para a ciência no âmbito do Projecto iniciado em 1997 e intitulado 'Estudo das Comunidades da Fauna e da Flora da Estação de Campo do Centro de Biologia Ambiental' na Serra de Grândola".

Artur Serrano, investigador do CE3C

As novas espécies, Parareicheia renei sp. nov. e Parareicheia barrosi sp. nov., distinguem-se pelas suas adaptações a ambientes subterrâneos, incluindo a ausência de olhos funcionais (microftalmia) e de asas (apteria), características típicas de organismos que evoluíram em habitats com défice parcial ou mesmo total de luz.

Parareicheia renei sp. nov. Fotografia de Artur Serrano

A espécie Parareicheia renei sp. nov. foi dedicada a René Jeannel, um destacado zoólogo e entomólogo francês que descreveu pela primeira vez uma espécie deste género na Península Ibérica. A nova espécie exibe pequenas dimensões (cerca de 2,03 mm), um corpo alongado e uma coloração amarelo-avermelhada.

Parareicheia barrosi sp. nov. presta homenagem a José Maximiano Correia de Barros, naturalista português que, fora do meio académico formal, contribuiu significativamente para o estudo dos coleópteros nacionais no final do século XIX e início do século XX. Este escaravelho é ligeiramente maior (2,48-2,54mm), possuindo um corpo robusto de uma cor castanho-avermelhada.

Parareicheia barrosi sp. nov. Fotografia de Artur Serrano

Os dados recolhidos sugerem que ambas as espécies têm distribuições extremamente limitadas. Parareicheia renei sp. nov. foi encontrada num habitat antropogénico dominado por eucaliptos, com vegetação composta por briófitos, gramíneas e arbustos. Apesar de terem sido realizadas várias sessões de amostragem entre 2018 e 2025, não foram encontrados mais exemplares desta espécie para além daquele com que foi baseada a sua descrição original, o que sugere que poderá tratar-se de uma espécie rara.

Parareicheia barrosi sp. nov. foi localizada no distrito de Vila Real numa pequena mancha de vegetação dominada por carvalhos e medronheiros, com várias espécies arbustivas típicas do norte de Portugal. As amostragens realizadas em 2024 e 2025 em vários locais deste distrito confirmaram a sua presença apenas naquela área.

Estes "Tesouros enterrados", como os autores os designam, proporcionaram a descoberta e descrição até agora de 40 espécies novas para a ciência destes Coleópteros, a grande maioria endémicas de Portugal. As 2 novas espécies agora descritas incluem-se neste já longo percurso temporal."

Artur Serrano

Dada a ausência de registos adicionais, os autores consideram, de forma provisória, que ambas as espécies são endémicas de Portugal.

Para além da descrição detalhada destas duas novas espécies, o estudo fornece imagens anatómicas que permitem a sua identificação, e inclui uma chave dicotómica atualizada para o género Parareicheia. São também apresentadas notas ecológicas que ajudam a compreender melhor os habitats destas espécies.

A caracterização destas novas espécies evidencia a importância da investigação taxonómica em ecossistemas ainda pouco explorados. A raridade e distribuição restrita destes organismos sublinham também a necessidade de conservação dos ecossistemas subterrâneos.

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