Contacts Subscribe Newsletter

Seis novas espécies de aranhas, até hoje desconhecidas para o mundo científico, foram descobertas por uma equipa de especialistas liderada por Pedro Cardoso, investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C). As aranhas, encontradas na Herdade da Ribeira Abaixo, em Grândola, estão em estudo em laboratório.

A notícia da descoberta das seis espécies chega agora, mas o trabalho de campo já remonta a 2024, precisamente à Herdade da Ribeira de Abaixo, uma estação de campo ligada a Ciências ULisboa e dotada de uma enorme riqueza de fauna e flora. Aqui, os locais de amostragem estão equipados com sensores para medição de temperatura e humidade do solo e ainda armadilhas que permitem a captura de animais de diferentes espécies para estudo científico. A identificação destes espécimes aconteceu no processo de amostragem do projeto Avaliação de Biodiversidade em Pequenas Escalas (BASS, na sigla em inglês), que tem por objetivo perceber como os microhabitats afetam a biodiversidade, em particular pequenos organismos. 

O investigador Pedro Cardoso numa saída de campo à Herdade da Ribeira Abaixo. Fotografia de Fernando Ascensão

No trabalho de campo esteve envolvida uma equipa de uma dúzia de pessoas, mas agora, em laboratório, o trabalho está a ser levado a cabo por uma dupla: o investigador Pedro Cardoso e Miguel Sousa, também investigador do CE3C e aluno de Mestrado em Biologia da Conservação de Ciências ULisboa.

O processo de descrição científica vai exigir tempo para medições pormenorizadas, desenhos científicos e comparações com outras espécies ou artigos da especialidade".

Pedro Cardoso

É um trabalho minucioso e ao microscópio: algumas das diferenças que saltaram à vista dos especialistas estão relacionadas com a disposição dos olhos, as fieiras (que produzem teias) ou as características das pernas – isto em aranhas muito pequenas (entre 2-3 mm e até 10-15 mm). 

Amostra de aranhas para observação a microscópio óptico

As aranhas ainda não foram batizadas – esse será um passo a tomar mais adiante – mas os especialistas já conseguem indicar os géneros em que se incluem estas espécies. 

Quando comecei a analisar cada uma das seis espécies de aranhas não conseguia encontrar nada parecido na literatura taxonómica. Com o tempo fui falando com outros investigadores e percebi que estava perante espécies novas”.

Miguel Sousa

Duas das espécies pertencem ao género Dysdera (conhecido por abarcar as conhecidas aranhas-de-tenaz que se alimentam de bichos-de-conta); outras duas pertencem ao género Harpactea (mais pequenas, escuras e elegantes que as do género Dysdera); há uma espécie classificada dentro do género Pelecopsis (são típicas caçadoras furtivas); e por fim, há ainda uma espécie que faz parte do género Scytodes. Esta última é uma aranha desconhecida, mas com um “super-poder”: tem o traço distintivo de cuspir teia com veneno para aprisionar as presas – sim, é deste grupo a aranha que serviu de inspiração para a história do Homem-Aranha.

Os investigadores admitem que a Serra de Grândola possa ter funcionado, ao longo do tempo, como uma ilha isolada que levou determinadas espécies a evoluírem de forma diferente de outras com origem comum, o que torna este local particularmente único para a investigação científica.

Related News

view all 27 s
Documentado primeiro caso de leucismo em Jacaré-de-papo-amarelo

Este estudo contribui para o conhecimento da espécie e destaca o potencial das alterações cromáticas como bioindicador.

06 May 2026

Investigadoras CE3C demonstram como a falta de uma proteína afeta o desenvolvimento muscular no útero

Ana Rita Carlos, Sólveig Thorsteinsdóttir e Susana Martins lideram estudo que abre portas a novas terapias para distrofia muscular congénita.

08 Oct 2024

Idiomas da vida: estudo coloca português como língua prioritária para a conservação da biodiversidade à escala global

Investigadores alertam para o facto das barreiras linguísticas poderem estar a comprometer metas globais de conservação da natureza em regiões com elevada biodiversidade. Estudo é assinado pelos investigadores CE3C Maria Dias e Ricardo Rocha.

03 Oct 2025

Contaminação por raticidas ameaça aves de rapina em Portugal

Mais de 80 por cento das aves de rapina portuguesas podem estar contaminadas por raticidas anticoagulantes, ameaçando a conservação de várias espécies, revela um estudo publicado em novembro por uma equipa do CE3C-Ciências ULisboa e da Universidade de Gran Canaria.

18 Dec 2025

View All News