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O investigador do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, Paulo Borges, é coautor do novo artigo científico “Global extinction risk assessment of soil-dependent species: recent progress and recommendations”, que analisa o estado global de conservação de espécies dependentes do solo.

O estudo destaca a importância da biodiversidade do solo para a manutenção de múltiplas funções e serviços dos ecossistemas. Apesar de possuir este papel fundamental, o conhecimento sobre o estado de conservação da maioria das espécies que dependem do solo permanece limitado.

Para colmatar esta lacuna, uma equipa internacional de investigadores desenvolveu a definição operacional de “espécies dependentes do solo” para aplicação na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Com base nesta definição, foram identificadas 8.653 espécies já listadas, incluindo 503 espécies de invertebrados e fungos avaliadas no âmbito deste estudo, selecionadas de acordo com prioridades estratégicas e interesses de grupos especializados da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC).

A experiência adquirida na avaliação dos artrópodes dos Açores para a Lista Vermelha da IUCN demonstra que as ilhas podem ter um papel decisivo na conservação global de invertebrados. Ao integrar taxonomia, dados de distribuição, monitorização e critérios internacionais de risco, conseguimos tornar visível uma componente fundamental da biodiversidade que, durante demasiado tempo, permaneceu fora das prioridades de conservação.”

Paulo Borges

Fotografias de Paulo Borges. (1) Euconnus azoricus. (2) Cephennium validum.

O artigo apresenta assim, três recomendações principais para reforçar a conservação desta biodiversidade a nível global.

A primeira passa pela criação de um grupo de trabalho dedicado à biodiversidade do solo no âmbito da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN (SSC). Este grupo reuniria especialistas de diferentes áreas, para a partilha de dados e conhecimento, com o intuito de expandir significativamente o número de espécies avaliadas na Lista Vermelha e promover a definição de metas anuais de avaliação. Os autores sublinham ainda a necessidade de mobilizar recursos adicionais e desenvolver formas inovadoras de obter financiamento, através da ligação a atividades relacionadas com a taxonomia, a avaliação de espécies, o planeamento da conservação e a monitorização da biodiversidade.

A segunda recomendação destaca a importância de reforçar a colaboração entre a SSC e organizações internacionais que trabalhem na promoção e monitorização da biodiversidade do solo. Entre os exemplos referidos estão a Food and Agriculture Organization, através da sua rede internacional para a biodiversidade do solo, a Global Soil Biodiversity Initiative e a Global Soil Partnership, entre outras iniciativas científicas e redes globais.

Por fim, os autores recomendam o reforço da transferência de conhecimento para governos, gestores do território e o público em geral, em relação à importância global da conservação da biodiversidade do solo, através da Lista Vermelha da IUCN, apontada como uma ferramenta fundamental à tomada de decisões informadas.

O estudo conclui que, apesar do crescente reconhecimento da importância da biodiversidade do solo, persistem lacunas significativas de conhecimento que limitam a gestão sustentável dos ecossistemas. A implementação destas recomendações permitirá não só preencher estas lacunas, como apoiar decisões mais informadas por parte de governos e comunidades, promovendo interações mais sustentáveis com as espécies dependentes do solo.

 

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