A cientista portuguesa Sara Magalhães, investigadora no CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CIÊNCIAS), e Professora Catedrática na mesma instituição, foi eleita Presidente da Sociedade Europeia para a Biologia Evolutiva (ESEB – European Society for Evolutionary Biology) para um mandato que se prolongará até 2029, assumindo a liderança da maior e mais reputada organização dedicada a este ramo científico no velho continente.
O histórico de liderança da ESEB é reflexo da sua importância no meio académico enquanto entidade agregadora de talento, discussão e ação em prol da ciência e da biologia evolutiva em particular. Com uma clara predominância britânica, pontuada por mandatos de investigadores/as em entidades igualmente excelentes em países da Europa Central e do Norte, é inegável o contributo que cada uma dessas personalidades deu para o avanço do conhecimento e da atividade da ESEB. Desde a sua fundação em 1987 – muito associada ao lançamento da revista científica que ainda hoje publica, o Journal of Evolutionary Ecology –, a ESEB tem assistido a fases de crescimento e maturação que a consolidaram como um interveniente indispensável no debate científico na sua região de influencia. Passou a co-publicar outra revista científica, a Evolution Letters, organiza bianualmente um congresso da especialidade na Europa (e o mundial a cada seis anos), atribuí bolsas, prémios e financiamentos que promovem novas conquistas científicas e, porventura o mais importante, consolidou a comunidade científica ao reunir mais de 1500 investigadores/as sob a sua égide. É esta verdadeira máquina que a investigadora CE3C Sara Magalhães irá liderar nos próximos anos, destacando-se como a primeira Presidente representante de um país do Sul da Europa.
É uma honra para mim contribuir para a ESEB, um fórum privilegiado de comunicação e colaboração entre cientistas e poder promover a ciência e o seu papel na sociedade.
A carreira de Sara Magalhães é marcadamente europeia. Após a sua formação em Biologia em CIÊNCIAS e Erasmus em Toulouse, a investigadora abraçou o doutoramento em Amesterdão. Seguiu-se um pós-doutoramento em Montpellier e um o segundo novamente em Lisboa, no antigo Instituto Gulbenkian de Ciência (hoje, GIMM - Gulbenkian Institute for Molecular Medicine). Em 2008, inicia a sua história no CBA – Centro de Ecologia Ambiental, percursor do CE3C, onde coordena o grupo de investigação em Evolução das Interações Parasita-Hospedeiro. Atualmente é ainda membro do prestigiante Wissenschaft Kolleg zu Berlin (Instituto de Estudos Avançados de Berlim, 2024/2025).
Com mais de uma centena de artigos publicados em revistas científicas, dezenas de projetos nacionais e internacionais coordenados e outros/as tantos/as orientandos/as que contaram com a sua experiência nos seus estudos de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, Sara Magalhães viu várias vezes o seu trabalho e impacto reconhecido não apenas no campo científico, mas também pela capacidade de projeção do conhecimento gerado para a sociedade. A conquista da primeira bolsa do Conselho Europeu de Investigação (ERC) na área da Ecologia e Evolução em Portugal com o projeto COMPCON e o seu contributo direto para a criação da Unidade de Evolução Experimental (vídeo aqui) são o perfeito exemplo disso mesmo, a par da liderança da Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva nos períodos 2014-2018 e 2023-2026, e da coordenação de iniciativas como a Caravana Agroecológica e o projeto GrowLIFE, dedicados ao fortalecimentos dos elos entre investigadores, produtores e consumidores comprometidos com a agricultura sustentável.
Acredito firmemente que a ciência é um esforço cooperativo e, por isso, procuro investir em atividades que beneficiam a comunidade científica, nomeadamente tendo um papel ativo em sociedades científicas nacionais e internacionais, e atuando regularmente como revisora e membro do Conselho Editorial de revistas científicas e programas de bolsas.
A visão partilhada de investimento na ciência, na biologia evolutiva, nos investigadores/as e alunos/as que à disciplina se dedicam, e na interface com a sociedade, permitindo antever um mandato que alie a novidade de uma liderança geograficamente inédita – provida de experiência e espírito crítico próprios – à robustez de ação da Sociedade. Desejamos muito sucesso à ESEB e à sua Presidente, Sara Magalhães.
Notícia com revisão de Sara Magalhães.
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