Já são conhecidas as vencedoras da edição de 2026 do Projecto Novos Talentos em Ecologia - Charles Buchanan, financiado pela FLAD e pela SPECO. As duas premiadas apresentaram propostas com alguma afinidade já que procuram desenvolver conhecimento sobre a resposta de árvores à seca prolongada. No entanto, são muito diversas na abordagem: uma debruça-se sobre o comportamento de espécies a nível individual, a outra da paisagem florestal.
Andreia Sofia Gonçalves dos Anjos, investigadora no cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Ana Paula Senra Portela, investigadora no mesmo centro de investigação, foram as duas doutoradas seleccionadas pelo júri convidado a avaliar as candidaturas ao Projecto Novos Talentos em Ecologia - Charles Buchanan.
Andreia Anjos submeteu em conjunto com os investigadores Joana Jesus e João Jacinto, um trabalho de investigação básica sobre os mecanismos subjacentes à resposta combinada à seca e competição inter- e intra-específica, usando árvores pequenas em condições laboratoriais. Tem como inovação estabelecer esta ligação experimental: associar a competição inter- e intra-específica, ao stress hídrico e à respectiva dinâmica de recuperação. Os resultados serão particularmente relevantes para prever as respostas da vegetação às alterações climáticas nas regiões mediterrânicas, onde se prevê que a escassez de água se intensifique. Por outro lado, integra uma investigação multi-nível e multi-facetada sobre a resposta ao stress hídrico, ao usar medições ecofisiológicas associadas à caracterização anatómica das folhas e raízes.
Embora os efeitos da seca tenham sido amplamente estudados, o papel da densidade da competição e das combinações de espécies na definição das respostas à seca ainda é pouco compreendido. Ao utilizar duas espécies pirófitas, o eucalipto e o pinheiro-bravo, os resultados adquiridos poderão possibilitar o desenvolvimento de estratégias de gestão florestal e de recuperação de propriedades florestais, onde estas espécies são exploradas para produção de biomassa.
A proposta de Ana Paula Portela pretende compreender a capacidade de resiliência das florestas à falta de água prolongada, com vista ao desenvolvimento de propostas de mitigação e restauro ecológico. Os padrões espaciais das respostas, ou seja, onde e por que razão as florestas mostram sinais de perda de resiliência ou respostas do tipo aclimatação, continuam a ser difíceis de prever.
Os gradientes topográficos da disponibilidade de água na paisagem e a diversidade florestal, isto é, a diversidade de espécies, funcional e estrutural, podem contribuir para uma variabilidade significativa nas respostas das florestas à seca. O principal objetivo do projeto é investigar a resiliência a longo prazo dos ecossistemas florestais, face ao agravamento da seca ao longo de gradientes paisagísticos de disponibilidade hídrica e avaliar se as florestas com lençóis freáticos mais elevados, como as florestas ribeirinhas, e as florestas com maior diversidade estrutural, mais resilientes à seca. Esta abordagem será realizada a partir de dados recolhidos ao longo de 10 anos pelo satélite Sentinel-2 e a utilização do LiDAR, recentemente disponibilizado para Portugal continental.
Estas duas abordagens permitirão analisar as tendências de resiliência ao longo de grandes gradientes climáticos, identificar os factores que influenciam a resiliência em diferentes escalas e a diversidade estrutural da floresta. Os dados recolhidos poderão orientar iniciativas de conservação, de restauro e de soluções climáticas de base natural para melhorar a resiliência da floresta face ao agravamento das secas.
As duas candidaturas irão receber um valor de 2.000 euros para executarem os seus projectos ao longo de dois anos.
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