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Fotografia da Universidade dos Açores

Os investigadores do CE3C, Gonçalo Rosa, Maria Carmo Barreto e Ana Maria Seca, publicaram recentemente um novo artigo de revisão intitulado “Ionic Liquids and Deep Eutectic Solvents for Polyphenol Extraction: Opportunities and Limitations”. O estudo fornece uma perspetiva acessível sobre novas formas mais sustentáveis de extrair compostos naturais de plantas.

Os polifenóis são substâncias presentes em muitos alimentos de origem vegetal, como frutas, chás ou ervas, e estão associados a vários benefícios para a saúde. Tradicionalmente, a extração destes compostos é feita com recurso a solventes orgânicos, como o metanol ou o etanol, cuja utilização pode levantar preocupações ambientais, toxicológicas e de sustentabilidade, sobretudo em processos industriais. Neste contexto, o artigo analisa alternativas mais “verdes, como os líquidos iónicos (ILs), e os solventes eutéticos profundos (DESs). Estes compostos têm despertado interesse nas áreas alimentar, cosmética e farmacêutica devido às suas propriedades antioxidantes e bioativas.

No grupo Natural Products and Applications (NPA), temos procurado implementar abordagens mais sustentáveis para a extração e estudo de compostos naturais da quimiodiversidade açoriana. Esta revisão surgiu precisamente da necessidade de compreender melhor o potencial e as limitações dos chamados solventes ‘verdes’, como os líquidos iónicos e os solventes eutéticos profundos, antes da sua aplicação no nosso próprio laboratório”.

Gonçalo Rosa

A revisão mostra que os líquidos iónicos podem, em muitos casos, aumentar a eficiência da extração de polifenóis, sobretudo quando combinados com tecnologias como ultrassons ou micro-ondas. No entanto, o seu processo de produção é complexo e dispendioso. Por essa razão, e devido à elevada viscosidade e aos problemas de toxicidade a que podem estar associados, a utilização de IL a nível industrial continua a ser limitada.

Por outro lado, os Solventes eutécticos profundos DESs, em especial os que derivam de cloreto de colina ou de ácido láctico, surgem como opções menos dispendiosas e mais acessíveis e fáceis de preparar e de aplicar em larga escala, o que os torna especialmente promissores para utilização industrial.

O trabalho mostra que já existem soluções capazes de tornar a extração de compostos naturais mais eficiente e ambientalmente responsável, mas também evidencia que ainda são necessários avanços ao nível da escalabilidade, recuperação de solventes e viabilidade industrial.”

Gonçalo Rosa

Créditos: Maria do Carmo Barreto e Wilson Tavares

Apesar do seu potencial, tanto os líquidos iónicos como alguns DESs apresentam ainda desafios importantes, incluindo elevada viscosidade, custo de produção ou preparação, recuperação do solvente, purificação dos extratos, biodegradabilidade e possíveis questões de toxicidade, dependendo da sua composição, estando ainda a ser exploradas várias estratégias para ultrapassar estas limitações.

De forma geral, esta revisão mostra que já existem alternativas reais aos métodos tradicionais, mas também que ainda é necessário otimizar estas soluções antes de as aplicar de forma generalizada. Ao aproximar a inovação científica da sustentabilidade, este estudo contribui para o desenvolvimento de processos mais responsáveis e alinhados com as exigências ambientais atuais.

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