05 Sep 2025
Location: Casa do Comum, Rua da Rosa, 285, Lisboa (ao Bairro Alto, próximo do Príncipe Real)
From 20 Nov 2025 until 22 Nov 2025
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Maria Amélia Martins-Loução, Cristina Máguas, Helena Serrano
O conceito “Uma só Saúde” foi introduzido em 2000 para introduzir algo já compreendido há muito: a saúde humana e animal são interdependentes e ligadas aos ecossistemas onde existem. Em 2015, a Fundação Rockefeller lançou o conceito mais abrangente de “Saúde Planetária” para referir o facto de a saúde humana não poder estar desfasada da qualidade dos sistemas naturais de que depende. Após a pandemia do SARS-Cov2 (2020-2022), este conceito adquiriu maior importância em resultado das alterações que o Homem tem infringido na estrutura, dinâmica e funcionalidade dos ecossistemas.
As sucessivas alterações da paisagem, por desflorestação, fogo ou pastoreio intensivo, originam contactos mais estreitos entre a fauna selvagem e doméstica, permitindo o contacto e contaminação por zoonoses responsáveis por cerca de 60% das infecções e doenças em humanos. O pastoreio e cultivos intensivos, para além de obrigar a desflorestações, estão dependentes de um elevado consumo de água e provocam a contaminação com fezes e urina carregados de antibióticos e compostos azotados. A economia global facilita a troca de produtos internacionais, a dispersão de espécies invasoras e acelera a forte dependência de uso de materiais de plástico para facilitar o acondicionamento dos produtos. Em suma, estas são condições ideais para a transmissão e dispersão de doenças entre animais e pessoas, e entre regiões.
Qual o contributo dos ecólogos para a compreensão de todos estes fenómenos que colocam o Homem e o Planeta perante diferentes riscos globais? Como integrar o conhecimento das comunidades biológicas e do seu funcionamento no desenvolvimento de soluções para minimizar os riscos que estamos a gerar? Tal como tem sido a praxis dos ENEs anteriores, pretende-se discutir temas relevantes de investigação ao serviço da sociedade, sem abdicar do foco principal: não há estratégias eficientes e efectivas sem bases científicas sólidas.
Também este ENE pretende organizar uma mesa redonda moderada por um jornalista. Numa altura em que a Universidade de Lisboa lança um doutoramento em Estudos em Saúde Planetária, o debate centrar-se-á nos desafios interdisciplinares que este tópico gera, numa interacção desafiadora entre Ecologia, Medicina e Economia Social.
Num ano em que a SPECO assinala os seus 30 anos de existência tendo, desde sempre, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa como instituição acolhedora, o 24º ENE só poderia ser celebrado neste local. Neste espaço de eleição, onde a investigação científica fundamental e aplicada são valorizadas e incentivadas, o Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), o Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade (CHANGE) e o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) recebem-nos e acolhem-nos, graças à hospitalidade e disponibilidade da Faculdade de Ciências.