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Susana Lopes, investigadora do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, conquistou um financiamento de 315 mil euros da Fundação ”la Caixa”.

Porque temos o coração do lado esquerdo e o fígado do lado direito? A resposta começa a definir-se muito antes de estes órgãos se formarem, nas primeiras fases do desenvolvimento embrionário, numa pequena estrutura chamada organizador embrionário esquerda-direita, que funciona como uma espécie de bússola biológica, ajudando a determinar qual será o lado esquerdo e o lado direito do corpo.

Esta estrutura contém células com minúsculas projeções móveis, chamadas cílios, cujo movimento gera correntes de fluido que desencadeiam os primeiros sinais moleculares responsáveis pela organização assimétrica dos órgãos. No peixe-zebra, este processo ocorre cerca de 10 horas após a fertilização, muito antes de o coração começar a bater, por volta das 28 horas.

Passa-se tudo muito cedo, nos humanos também, e muito antes do órgão coração ser visível".

Susana Lopes

O projeto Beating4aleft-heart, liderado por Susana Lopes, irá recorrer ao peixe-zebra como modelo experimental para compreender como o movimento destes cílios é regulado e como as forças físicas que produzem são transformadas em sinais moleculares que determinam a posição dos órgãos.

A estrutura organizador embrionário esquerda-direita. Fotografia de Susana Lopes

Ao desvendar estes mecanismos fundamentais, a investigação poderá contribuir para uma melhor compreensão das malformações cardíacas congénitas e de doenças raras, como a heterotaxia, caracterizada por alterações na disposição dos órgãos internos.

Para a investigadora este financiamento representa também uma oportunidade para refletir sobre os desafios da investigação científica em Portugal. 

Num contexto em que o financiamento da ciência em Portugal continua a ser insuficiente, o apoio da Fundação ”la Caixa” é essencial para dar continuidade a projetos de investigação de qualidade. No entanto, a elevada competitividade destes concursos mostra que muitos projetos científicos de excelência continuam sem o financiamento necessário."

Susana Lopes

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