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Fotografia de João Paulino

No âmbito do seu doutoramento no CE3C - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, o investigador João Paulino realizou um novo estudo que analisou a perceção dos produtores de arroz relativamente às aves aquáticas, centrando-se num tema cada vez mais relevante nos ecossistemas agrícolas mediterrânicos: a coexistência entre a atividade agrícola e a conservação da natureza.

O artigo científico, intitulado “Conflict or coexistence? Rice farmers’ perceptions of services and disservices provided by waterbirds and the challenges of conflict mitigation”, contou ainda com a participação dos investigadores do CE3C José Pedro Granadeiro e Teresa Catry.

À medida que as zonas húmidas naturais vão desaparecendo, os arrozais assumem um papel cada vez mais importante como habitat para aves aquáticas. Apesar do valor amplamente reconhecido destes ecossistemas agrícolas para a conservação destas espécies, as estratégias de conservação raramente consideram as perceções dos produtores de arroz.

Fotografia de João Paulino

O sucesso ou fracasso de muitas medidas de conservação em arrozais depende, em grande parte, das ações, decisões e colaboração destes agricultores”.

João Paulino

As aves aquáticas são frequentemente vistas pelos agricultores como potenciais pragas, devido aos danos que podem causar nas culturas. Os flamingos, as cegonhas e os íbis foram identificados pelos produtores de arroz como as espécies que estes consideram responsáveis pelos maiores prejuízos, sobretudo durante os períodos de sementeira e colheita.

Em resposta, são implementadas diversas técnicas de espantamento, como canhões de gás propano, com o objetivo de manter as aves afastadas dos campos. Esta situação origina um conflito entre os seres humanos e a vida selvagem que pode comprometer a conservação de algumas espécies e dificultar a relação entre os produtores e as entidades ligadas à preservação da natureza.

Fotografia de João Paulino

Os agricultores mais velhos apresentaram uma perceção menos negativa das aves aquáticas, mas revelaram menor predisposição para considerar estratégias de mitigação de conflitos, enquanto os agricultores mais jovens evidenciaram perceções particularmente negativas. Por sua vez, os agricultores com níveis mais elevados de escolaridade demonstraram perceções mais positivas e maior recetividade a soluções, considerando simultaneamente as medidas de dissuasão economicamente eficazes.

A informação recolhida permitiu elaborar várias recomendações destinadas a promover uma coexistência mais sustentável entre a agricultura e a conservação da natureza. Entre estas recomendações, destaca-se o envolvimento dos produtores na recolha de dados científicos que permitam quantificar o impacto real das aves na produção de arroz e identificar, de forma rigorosa, as espécies responsáveis pelos maiores prejuízos. Tal possibilitaria a definição de estratégias direcionadas para essas espécies, substituindo as atuais técnicas não seletivas de espantamento.

Apenas através do conhecimento da real dimensão económica do problema será possível desenvolver soluções eficazes”.

João Paulino

Estas soluções poderão passar não só pela recolha sistemática de dados, mas também pela implementação de ações de educação ambiental e pela criação de esquemas agroambientais que reconheçam e compensem o valor de conservação proporcionado pelos arrozais, bem como os eventuais prejuízos causados pelas aves.

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