A Direção do CE3C gostaria de expressar a sua solidariedade com as preocupações manifestadas pela sociedade relativamente à atual crise da habitação, uma realidade que afeta de forma crescente a comunidade científica e académica.
A crise da habitação afeta diretamente a atividade do CE3C. Enquanto centro de investigação, recrutamos investigadores através de projetos competitivos nacionais e internacionais, acolhemos investigadores contratados ao abrigo dos programas de emprego científico e recebemos regularmente novos investigadores de carreira e docentes universitários. A capacidade de atrair e reter estes profissionais é fundamental para o desenvolvimento científico da instituição.
A ciência é uma atividade intrinsecamente internacional e colaborativa, assente na mobilidade de investigadores entre instituições, regiões e países. Muitos dos investigadores que integram o CE3C mudam-se para Portugal ou para novas regiões do país para assumir funções financiadas por programas como o Concurso de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) ou outros contratos de investigação, contribuindo para a renovação e competitividade do sistema científico nacional.
É, por isso, com crescente preocupação que observamos que os salários disponibilizados pelo sistema científico português, frequentemente definidos a nível nacional e sem ajustamento ao custo de vida local, são cada vez menos compatíveis com o acesso a habitação digna em muitas das regiões onde se concentra a atividade científica e o ensino superior. Esta realidade constitui um obstáculo crescente à atração de talento, à mobilidade científica e à retenção de investigadores altamente qualificados.
Esta preocupação torna-se particularmente relevante num momento em que o país procura reforçar a carreira científica e criar melhores perspetivas de estabilidade profissional para os investigadores. Os benefícios de qualquer reforma estrutural da carreira científica serão necessariamente limitados se os investigadores continuarem a enfrentar dificuldades significativas para assegurar condições de vida adequadas. A capacidade de Portugal afirmar uma ciência competitiva e internacionalmente atrativa depende não apenas do financiamento da investigação e da criação de oportunidades de carreira, mas também da existência de condições que permitam aos investigadores viver e trabalhar com dignidade.
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