Contacts Subscribe Newsletter
Bostrychia montagnei. Fotografia de Luís Catarino

Um estudo liderado pelos investigadores do CE3C Filipe Sousa e Luís Catarino revelou, pela primeira vez, a diversidade de macroalgas marinhas presente no Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão, no arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau. Os resultados foram publicados no artigo “Island treasures: Macroalgae from a marine national park in the Bijagós Archipelago (Guinea-Bissau)”.

Localizado no sul do arquipélago dos Bijagós, o Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão abrange quatro ilhas e dois ilhéus, sendo reconhecido internacionalmente pela sua extraordinária biodiversidade marinha. A área constitui um refúgio importante para várias espécies de tartarugas marinhas e integra um local classificado como Património Mundial pela UNESCO.

Apesar da relevância ecológica da região, o conhecimento sobre a flora marinha local era muito limitado. Para colmatar esta lacuna, a equipa realizou duas expedições científicas ao parque, durante as quais recolheu amostras de macroalgas em diferentes habitats intertidais, nomeadamente em zonas rochosas, arenosas e em mangais. As amostras foram estudadas por meio de análises morfológicas e de técnicas de identificação molecular baseadas em ADN.

 

As amostras de macroalgas usadas neste artigo foram colhidas no âmbito de uma missão de trabalho de campo para caracterização da flora e vegetação do Parque Nacional Marinho de João Vieira e Poilão (PNMJVP), na Guiné-Bissau, efetuada em 2016 por Bucar Indjai, Castro Barbosa e Luís Catarino, com a colaboração de técnicos e guardas do IBAP (Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas).”

Luís Catarino

No total, foram identificados 31 espécimes de 16 espécies diferentes de macroalgas. Destes, 11 são registados pela primeira vez na Guiné-Bissau, representando cerca de um quarto de todas as espécies de macroalgas atualmente conhecidas no país. O género de algas vermelhas epífitas Bostrychia, associado aos mangais, destacou-se como o mais representado nas amostras analisadas.

Caulerpa sertularioides. Fotografia de Luís Catarino

As amostras foram montadas em folhas de herbário em duplicado,  sendo um exemplar de cada amostra enviado para a Guiné-Bissau e foram estudadas na FCUL através da caracterização morfológica e de análise de DNA barcoding.”

Luís Catarino

No entanto, a diversidade agora documentada deverá representar apenas uma parte da biodiversidade existente, sendo provável que campanhas de amostragem futuras revelem um número ainda maior de espécies.

A importância deste trabalho prende-se com o facto de ser o primeiro levantamento da diversidade de macroalgas neste parque, e por contribuir para um aumento significativo da diversidade conhecida de macroalgas na Guiné-Bissau, cerca de 25% das espécies registadas.”

Filipe Sousa

Para além de contribuir para o conhecimento científico da flora marinha da África Ocidental, este estudo realça a importância da investigação em áreas protegidas pouco exploradas e destaca o valor dos ecossistemas do arquipélago dos Bijagós para a conservação da biodiversidade.

Related News

view all 38 s
Sofia Mendes e Vítor Sousa em equipa que descobre nova espécie de peixe que ocorre apenas na bacia do Sado

Estudo uniu as ribeiras do Sado aos corredores de um Museu em Madrid para descobrir um novo endemismo português. Equipa coordenada por Ignacio Doadrio (MNCN, Madrid) integra ainda as investigadoras Silvia Perea (MNCN) e Carla Sousa Santos (MARE).

09 Dec 2024

Formigas em 3D: CE3C e Museu Nacional de História Natural e da Ciência integram colaboração internacional

Estudo publicado na Nature Methods apresenta o Antscan, uma base de dados aberta com milhares de tomografias 3D de alta resolução, produzidas a partir de espécimes de coleções científicas de todo o mundo. Um marco na investigação baseada em coleções e um novo motor para análises evolutivas e de biodiversidade.

12 Mar 2026

Investigadores do CE3C revelam limites na adaptação alimentar dos anfíbios às alterações climáticas

Estudo conclui que os girinos ajustam o seu regime alimentar para mitigar os efeitos do aquecimento da água.

14 Jul 2026

Mar de plástico: Mediterrâneo é a área do mundo com maior risco para as ameaçadas aves marinhas

Investigadora cE3c Maria Dias coordena estudo pioneiro à escala mundial que revela as áreas de maior risco de exposição ao plástico pelas já ameaçadas aves marinhas.

04 Jul 2023

View All News